Flores em casa

Eu amo flores em casa, pois elas alegram meu coração, me animam, me dão leveza! Um simples arranjo como esse, despretensioso, podem fazer uma grande diferença no seu dia, no seu humor…

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Ótimas ideias para fotos de família

De vários fotógrafos ao redor do mundo, fotografias de família para você se inspirar quando todos estiverem juntos num almoço, num casamento, num piquenique, num dia qualquer… Fotografias de família são documentos históricos que mexem com os sentimentos de todos. Aqui estão apenas algumas, mas no Ants Magazine  têm 50 fotografias lindíssimas.

Veja também 21 poses para fotografar casais.

 

Retorno das férias

Faz quase uma semana que chegamos da nossa viagem de férias e não descansamos direito ainda… É que já nos envolvemos em tantas outras atividades que não tivemos tempo de dormir até tarde e descansar o esqueleto. E já volto a trabalhar amanhã!!!! O maridão já voltou hoje e as crianças iniciarão as aulas dia seis de fevereiro. O bom é que voltamos renovadíssimos, muito contentes com o passeio, os amigos que fizemos, as boas lembranças da viagem. Como prometi, aí estão algumas fotos que tiramos em alguns dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro. É realmente uma cidade inacreditavelmente linda e muitíssimo charmosa por conta da geografia privilegiada, dos prédios antigos, do mar… Infelizmente não fomos a todos os lugares que havíamos planejado por causa das longas distâncias, mas deu pra curtir bastante.

Família 4 no Pão de Açúcar

Família 4 no Museu de Arte Contemporânea - Niterói - RJ

Jotinha, Jó e eu no MAC

Kim no Pão de Açúcar

No porto das Balsas em Niterói

Kimkim e Joel num restaurante pertinho do Corcovado

Jotinha e Jó no Cristo

Jotinha sob o pôr-do-sol em Niterói

No Corcovado, esperando pra embarcar no trenzinho...

Graças a Deus não choveu pra diminuir nosso entusiasmo, pelo contrário, o sol estava tão forte e o calor tão grande, tipo 40º, que vimos turistas passarem mal. Nós estávamos nos hidratando o tempo inteiro e correu tudo bem conosco. E já temos planos para as próximas férias…

Férias, uhuuuuuu!

Depois de muitos anos estou tendo férias de verdade: consegui fazer uma ótima dieta, fiz caminhada, crochê, organizei coisas aqui em casa, coloquei minha leitura em dia… O mais legal é que a família toda está de férias ao mesmo tempo, coisa que não acontecia há vários anos e agora vamos fazer uma pequena viagem para conhecer o Rio de Janeiro. Só o blog não tirou férias, porque deixei alguns posts agendados para os dias que eu estiver fora. Então, venham aqui todos os dias pra ver as coisinhas novas que vão aparecer e não esqueçam de comentar. Na volta mostro as fotos da viagem. Beijos!

Faça brinquedos artesanais para as crianças

Aproveite materiais que tem em casa, compre outros e faça brinquedinhos junto com as crianças. Esse momento junto com elas reforça os laços e aproxima os filhos dos pais. Sem falar que todo mundo se diverte.

Link: Educar para Crescer

A arte do casamento, segundo Paul Newman

Nos nossos dias o casamento é considerado uma instituição falida e, segundo a Nova Lei do Divórcio, facilmente dissolvido. O número de divórcios tem disparado e fico imaginando que daqui a alguns anos o casamento vai ser peça de museu… Eu sempre sonhei com um casamento que durasse muitos anos, na verdade pra sempre e sou feliz por ter me casado com um homem que deseja envelhecer ao meu lado. Foi assim com Paul Newman e Joanne Woodward, que se casaram em 1958 e só se separaram em 2008, quando Paul faleceu, aos 83 anos, vítima de câncer no pulmão, causado pelo cigarro. O seguinte texto, dizem, é de autoria de Paul Newman, escrito para Joanne:

A felicidade no casamento não é algo que simplesmente acontece, um bom casamento deve ser criado. Na arte do casamento, as coisas grandes são as coisas pequenas. É lembrar de dizer um “eu te amo” uma vez ao dia pelo menos. É ter um sentimento mútuo de valores comuns. É enfrentar o mundo lado a lado. O casamento deve estar formado no amor que reúne toda a família. É fazer as coisas para o outro, não na atitude do dever ou sacrifício, mas no espírito de alegria. É demonstrar apreço e falar palavras de gratidão. É não procurar ser mais perfeito que o outro, mas cultivar a flexibilidade, paciência e compreensão e não esquecer do bom humor. É ter a capacidade de perdoar e esquecer. É oferecer um ao outro ambientes em que cada um pode crescer. É uma procura comum do bem e da beleza. É estabelecer um relacionamento em que a independência é igual, a dependência é  mútua e recíproca. É não só casar com o parceiro certo, mas também ser o parceiro certo.

Acho que quando Deus criou o homem e a mulher, o propósito que Ele teve para o casamento era parecido com isso, mas muito além…

Encontrei esse vídeo lindo que é uma homenagem a Paul e Joanne, ao som de Elvis Presley:

Can’t Help Falling In Love

Você tem cérebro? Então, use-o!

Dentro de cada cérebro humano, há bilhões e bilhões de interconexões complexas, de neurônios e sinapses que a ciência mal começou a entender. Juntamente com o mistério da mente e do espírito, o cérebro humano se torna um laboratório tão vasto e intrincado que poderíamos trabalhar nele por um milênio e ainda assim apenas “arranhar a superfície”.  Ben Carson, no livro Risco Calculado, pág. 254.

Quando li as palavras acima na conclusão do livro Risco Calculado, de Ben Carson, comecei a pensar em como realmente tenho usado meu cérebro. Quando temos um problema aparentemente sem solução, ou uma crise de desânimo ou um momento de indecisão deveríamos nos lembrar que Deus nos dotou desse maravilhoso órgão cujo potencial é infinito. Sabe o que significa ter um cérebro e não utilizar? É como estar cheio de dívidas, ter um milhão de euros desvinculados na conta bancária e simplesmente ignorar.

Como educadora, fico estudando formas de estimular o hábito de leitura nas crianças e quando elas descobrem o prazer de ler… oh, que mararavilhoso mundo se abre para elas! Infelizmente, é muito difícil, até para professores, desenvolverem o prazer de ler. Isso é muito sério! Já ouvi professores dizendo: “Não tenho tempo”, “Tenho problema de vista”, “Eu odeio ler”, “Tenho mais o que fazer”, “Quando saio da escola, vou cuidar dos meus filhos”… Certa vez, numa escola onde trabalhei, uma professora ficou muito chateada porque foi convidada pra participar de um programa de leitura que estávamos promovendo.  Me preocupo sinceramente com nossas crianças.

A Bíblia já diz que “O povo perece por falta de conhecimento” (Oséias 4:6).

Acho que, como uma pessoa criada carinhosamente por um Deus maravilhoso, devo retribuir fazendo o melhor da minha vida. Preciso ter um projeto pessoal cujo objetivo seja crescimento e isso inclui a leitura, certamente. Às vezes estamos tão ocupados cuidando dos afazeres domésticos, dos filhos, dos desafios do trabalho, que esquecemos ou não achamos importante dedicar tempo a treinar o cérebro.

Das lembranças que tenho da minha infância, está minha mãe lendo, fazendo palavras cruzadas, montando quebra-cabeças de mil peças e nós, os filhos envolvidos nesses exercícios de treinamento cerebral. Eu realmente criei muito hábitos saudáveis na minha infância graças à minha mãe. Ela me ensinou a gostar de ler. Nunca tive dificuldades na escola, era boa aluna, mas só fiz faculdade depois que as crianças nasceram, porque meu marido me convenceu que eu poderia ir muito mais longe utilizando meu cérebro precioso. Acho que faltava isso pra eu acreditar. Depois que ele fez isso por mim, não tive dificuldades pra passar em todos os vestibulares que fiz: Letras e História na UEMA e Pedagogia e Jornalismo na UFMA, todos em excelentes colocações e sem fazer cursinho, já que a grana sempre foi muito curta. Recentemente passei em um concurso público bastante concorrido aqui no sudeste do país, em 4º lugar. Isso pode não representar muito para algumas pessoas, mas para uma mulher como eu, que trabalhava cerca de 10 horas por dia e cuidando da família e da casa é algo fora do comum. Acredito que posso ir mais longe. Quero avançar nos meus estudos, aprender um novo idioma, passar em outro concurso público, ler mais… Não dá pra saciar a sede de conhecimento.

No livro Sonhe Alto, Ben Carson diz que somente Deus pode limitar aonde nós poderemos chegar se usarmos todo o potencial do nosso cérebro. Ele conta que quando ele e o irmão eram crianças e reclamavam a respeito de algum problema que achavam insuperável, a mãe deles fazia uma cara de dúvida e perguntava: “Você tem cérebro?”. Ela estava insinuando: Se você tem cérebro, então, use-o! Isso é o que você precisa pra superar qualquer problema! 

Como ajudar seu filho a ler e escrever

Lembro muito bem da emoção que sentimos quando nossos filhos começaram a ler e escrever. Cada um deles tinha cinco anos… começaram cedo, mas naturalmente. O Jota me escrevia bilhetinhos carinhosos e lia todas as placas das ruas e os rótulos de produtos. A Kim certa vez escreveu a letra da música de campanha do candidato a prefeito da nossa cidade com todas as palavras grudadas… foi muito engraçado. Inesquecível. Acredito que as professoras faziam um ótimo trabalho na escola, enquanto que em casa nós incentivávamos os dois para que eles não tivessem dificuldades nessa etapa tão importante.

Como seria bom se os pais tivessem um guia para ajudar também seus filhos a ler e escrever! Bem, o site Educar para Crescer preparou o ABC da Alfabetização com dicas super legais para a família , tipo criar listas de compras com as crianças, deixar bilhetinhos ao alcance delas, ler para elas desde muito cedo, criar brincadeiras com as palavras e muitas outras… O guia está em ordem alfabética e cada letra tem várias dicas. Vale muito a pena ser lido e aproveitado, inclusive pelos professores, indicando-o para os pais.

16 anos de casados

Joel e eu completamos 16 anos de casados. De tudo o que já vivemos juntos, fica uma certeza: Deus nos uniu e fortalece nosso amor diariamente para enfrentarmos todas as diversidades e criar nosso filhos em Seus caminhos. Somos muito gratos.


Palmas pra você, mamãe!

Minha mãe é linda, jovem, bonita (seu nome já diz), elegante, muito inteligente, sempre disposta, engraçada, persistente, amiga, lutadora, forte e muito querida por todos nós: filhos, netos, marido, irmãos, amigos… Merece muitas palmas. Feliz Dia das Mães, Dona Bela! Parabéns também pra todas as mães do mundo!!!!

“Uma pátria chamada Bezerra Bonfim”

Todo mundo gostaria de conhecer sua própria história mais profundamente, saber quem são seus antepassados, compreender sua origem, sentir que pertence a uma família e passar a seus descendentes o valor que eles têm por também fazerem parte de um grupo tão especial e único. 

Eu tenho orgulho de pertencer a uma família muito grande e bacana, a família Bonfim, que há muitos anos se uniu à família Bezerra, e deu origem a essa história tão incrível e incomum. Foi assim:

“Duas irmãs, Isabel e Josefa, casaram-se. A primeira com Alexandre Ferreira do Bonfim e a segunda com Joaquim Alves Bezerra. Dos filhos de Isabel e Alexandre, seis casaram-se com seis filhos de Josefa e  Joaquim. Descendentes dos outros filhos de Josefa também casaram-se com descendentes de outros filhos de Isabel. E os casamentos com parentes continuaram, não apenas Bonfim com Bezerra, mas também Bonfim com Bonfim e Bezerra com Bezerra. E assim, até os dias atuais.” págs 21 e 22

Nossa família teve origem no estado do Ceará e hoje está espalhada pelo Brasil inteiro e por muitos outros países. Em virtude disso, muitas dificuldades foram encontradas para realizar a pesquisa: dificuldades para coletar informações precisas, dificuldades financeiras, de comunicação, transporte etc.  Felizmente a pessoa que está à frente deste trabalho é uma mulher incansável e guerreira, Maria Olívia Beserra Macedo. Acredito que Maria Olívia teve sede de conhecer a história de seus familiares a fundo e acabou deixando esse legado maravilhoso para toda a família nesta e nas futuras gerações.

O livro inteiro é de uma riqueza sem tamanho e me sinto orgulhosa de ter meu nome, do meu esposo, dos meus filhos, pais e irmãos registrados na página 122. As palavras de Júnior Bonfim resumem o que eu gostaria de acrescentar:

“Como Ruy Barbosa, descobriu que,’multiplicando a família, chegamos à Pátria’. Ou que ‘a Pátria é a família amplificada’. Parabéns, Olívia. Como judeus errantes, vivíamos dispersos pelo continente. Temos agora um espaço único. Teu livro é o nosso território comum: uma Pátria chamada ‘Bezerra Bonfim’!”

Na foto abaixo, Seana, minha trisavó.

O livro tem 496 páginas e tem um lugar de destaque na minha sala, pra todas as visitas olharem e para consulta constante. Eu não poderia deixar de mostrá-lo aqui, né?

Flores pra mim

Eu sempre conto aqui no Coisas quando faço aniversário… Pois é, hoje completo 42 aninhos! Me sinto muito feliz, cada vez mais bela. Tenho uma família incrível, amigos queridos, um trabalho que amo e sou cada  dia mais grata a Deus por tudo o que Ele tem feito por nós.

Quanto a mim, confio em Teu infalível amor. Meu coração se alegra na Tua salvação. Salmos 13:5

Essa é a porta de entrada da minha casinha. Os amigos são bem-vindos!

Oito vacas por uma noiva

Li essa história há muitos anos, acho que há mais de 25, numa Revista Seleções antiga que tínhamos em casa. Marcou minha vida e há muito tempo procurava pra compartilhar. Ela fala do valor que um homem dá a uma mulher e de como isso transforma-a por dentro e por fora, enchendo a vida dessa mulher de alegria, felicidade, bem-estar… Se um homem faz isso por uma mulher, ele não seria feliz também? Leia com atenção:

Um dia, meti-me num barco e fui visitar Kiniwata, uma ilha no Pacífico. Levava comigo um bloco de notas, que, no regresso, vinha recheado de apontamentos sobre a fauna e a flora, os costume e os trajes indígenas. Mas de todas as anotações que fiz, a única que ainda hoje me interessa é a que diz: “Johnny Lingo deu oito vacas ao pai de Sarita.” Podia rasgá-la pois sei-a de cor e salteada. A ponto de saltar-me de imediato à memória sempre que vejo uma mulher depreciar o marido ou uma esposa ficar-se perante o desprezo do marido. A essas mulheres gostaria de poder dizer: “Era bom que soubessem porque é que Johnny Lingo pagou oito vacas pela mulher.” Johnny Lingo não era bem o nome dele. Mas era assim que lhe chamava Shenkin, o dono da pensão de Kiniwata. Shenkin era de Chicago e tinha a mania de americanizar os nomes dos ilhéus. Mas, a propósito das mais diversas coisas, muita gente referia, invariavelmente, o nome de Johnny. Se eu quisesse passar uns dias na ilha de Nurabandi, ali ao lado, Johnny Lingo era a pessoa para me hospedar em sua casa. Se quisesse pescar, só ele saberia indicar-me o local para o peixe morder a isca. Se era pérolas que procurava, ele me indicaria onde fazer uma boa compra. Toda a gente em Kiniwata tinha por Johnny Lingo uma grande consideração. No entanto, sempre que falavam dele, não podiam deixar de sorrir com um sorriso ligeiramente trocista. – Pergunte por Johnny Lingo, peça-lhe que a ajude a encontrar o que procura e deixe que seja ele a discutir o preço – aconselhou Shenkin. – Ele tem jeito para o negócio. – Johnny Lingo! – repetiu com uma gargalhada um rapaz sentado ali perto. – Mas afinal que é que se passa? – perguntei. – Toda a gente me diz para procurar Johnny Lingo e depois desatam a rir. Onde é que está a piada? – Oh!, as pessoas gostam de rir – disse Shenkin, encolhendo os ombros. – Johnny é o rapaz mais esperto e mais forte das ilhas. E, para a idade que tem, o mais rico. – Mas se ele tem tudo isso, qual é o motivo da risota? – É por causa de uma coisa. Há cinco meses, no festival do Outono, Johnny veio a Kiniwata e arranjou uma mulher. Pagou oito vacas ao pai dela! Eu já conhecia suficientemente os costumes da ilha para não ficar espantada. Duas ou três vacas davam para comprar uma mulher assim, assim, quatro ou cinco para uma que se visse. – Meu Deus! – disse eu. – Oito vacas! Ela deve ser de se lhe tirar o chapéu. – Não é propriamente feia – admitiu ele sorrindo. – Com boa vontade, o mais que se pode dizer é que Sarita é feiosa. O pai, Sam Karoo, tinha receio que ela ficasse solteira. – E conseguiu que lhe dessem oito vacas por ela? Não é possível! – Nunca ninguém pagou isso. – E ainda dizem que a mulher de Johnny é feiosa? – Eu disse que, com boa vontade, podemos dizer que é feiosa. Ela era escanzelada. Caminhava de ombros arqueados e de cabeça inclinada. Tinha medo da própria sombra. – Bem – disse eu – isso só prova que o amor não tem preço. – É bem verdade – concordou o homem. – E é por isso que os aldeões se riem quando se fala de Johnny. Sentem-se vingados por o negociante mais astuto das ilhas ter sido enganado pelo velho e simplório Sam Karoo. – Enganado, como? – Ninguém sabe e todos se interrogam. Os primos de Sam aconselharam-no a pedir três vacas e. depois, ficar-se por duas até ter a certeza de que Johnny lhe pagaria apenas uma. Então Johnny foi ter com Sam Karoo e disse: “Pai de Sarita, ofereço-lhe oito vacas pela sua filha.” Oito vacas – murmurei. – Gostava de conhecer esse tal Johnny Lingo. Eu queria comprar peixe. E também pérolas. Por isso, na tarde do dia seguinte fui até Nurabandi. Reparei que, quando perguntava o caminho para a casa de Johnny, o seu nome não provocava sorrisos maliciosos nos habitantes da ilha. E quando conheci o jovem, esbelto e formal, que, com a maior educação, me convidou para sua casa, fiquei contente por ele ser respeitado pela gente da sua ilha. Sentámo-nos e conversamos. Então ele perguntou: – Vem de Kiniwata? – Venho. – Falam de mim lá na ilha? – Dizem que só você pode ajudar-me a encontrar tudo o que eu quiser. Ele sorriu delicadamente. – A minha mulher é de Kiniwata. – Eu sei. – Eles falam dela? – Às vezes. – E que é que dizem? – Bom, apenas… – A pergunta apanhou-me desprevenida. – Contaram-me que se casaram por alturas do festival. – Mais nada? A curva das suas sobrancelhas diziam-me que ele sabia que tinha de haver mais. – Também dizem que o casamento foi acordado em oito vacas. – Fiz uma pausa. – Ainda hoje não sabem porquê. – Eles dizem isso? – Os seus olhos iluminaram-se de prazer. – Toda a gente em Kiniwata sabe das oito vacas? Fiz que sim com a cabeça. – E em Nurabandi também sabem – disse, inchando o peito de satisfação. – Daqui para a frente, sempre que se falar de acordos nupciais, as pessoas hão de lembrar-se de que Johnny Lingo pagou oito vacas por Sarita. Então é essa a resposta, pensei: vaidade. Foi então que a vi. Ela entrou na sala para pôr flores na mesa. Demorou-se um momento para sorrir ao jovem que estava ao meu lado. E voltou a sair, apressada. Era a mulher mais bela que me fora dado ver. O aprumo dos seus ombros, a inclinação do queixo, o brilho dos olhos, espelhavam um orgulho a que ninguém podia tirar-lhe o direito. Voltei-me para Johnny Lingo e dei com ele a observar-me.

– Achou-a bonita? – perguntou.

– É…é divina. Mas não é a Sarita de Kiniwata. – disse eu. – Sarita só há uma. Talvez esteja diferente do que dizem que ela era em Kiniwata. – Pode crer. Ouvi dizer que ela era feiosa, sem graça. Todos troçam de si por se ter deixado enganar por Sam Karoo. – Acha que oito vacas foi demais? – Passou-lhe um sorriso pelos lábios. – Não. Mas como é que ela pode estar tão diferente? – Já alguma vez pensou – perguntou ele – o que deve significar para uma mulher saber que o marido ficou com ela pelo preço mais baixo possível? E depois. mais tarde, em conversas de mulheres, elas gabam-se do que os maridos deram por elas. Uma diz que foram quatro vacas, outras talvez seis. Que sentirá aquela que foi vendida por uma ou duas? Isso não podia acontecer com a minha Sarita. – Então foi simplesmente para fazer a sua mulher feliz? – Queria ver Sarita feliz, sim. Mas queria mais do que isso. Você diz que ela está diferente. É verdade. Muitas coisas podem mudar numa mulher. Coisas que acontecem dentro delas e coisas cá de fora. Mas o mais importante de tudo é o que ela pensa de si própria. Em Kiniwata, Sarita acreditava que não valia nada. Agora sabe que vale mais do que qualquer outra mulher das ilhas. – Então você queria… – Queria casar com Sarita. Amava-a a ela e a nenhuma outra. – Quer dizer… – Estava quase a perceber. – Isso mesmo – rematou ele com ternura -, queria uma mulher que valesse oito vacas.

Link: O valor de uma esposa

 

De volta para o futuro

No projeto Back to the future, Irina Werning fotografa pessoas reproduzindo todas as características de fotos antigas. O resultado é surpreendente. Não é interessante? É a mesma ideia que publiquei aqui em 2008, o projeto Young Me/Now Me, em que as pessoas mesmas produzem suas fotos e enviam para o site. Minha família tem muitas fotos antigas, quando a gente se encontrar, seria uma boa ideia voltar para o futuro também…

Vi no Saber é Bom Demais.

Do que a gente vai brincar hoje?

Brincar com os filhos é criar laços. Quando eles forem grandes lembrarão com ternura do tempo que passamos com eles fazendo atividades divertidas. Além do mais, as crianças que brincam são mais saudáveis.  Pensando nisso, a Revista Crescer selecionou diversas brincadeiras para crianças de menos de um ano até os oito anos, pra dentro e fora de casa. São apaixonantes. Professoras, fiquem atentas: para as crianças, brincar é assunto muito sério e o pátio da escola é tão impotante quanto a sala de aula.

Veja também: 10 atividades para fazer enquanto a televisão estiver desligada

Clique na imagem pra ver as brincadeiras.

As ilustrações são perfeitas!

Amor e guerra

Quando criança, ouvi minha mãe contar que minha avó paterna, Dona Tile, havia se casado bem jovem, com um rapaz bonito, forte e bondoso chamado Alfredo, na década de 1930. Vó Tile era apaixonada pelo marido e eles viveram felizes durante seis meses, até que ele foi convocado para uma guerra no Rio de Janeiro e morreu em combate. Ela foi comunicada da morte do marido através de um telegrama que recebeu do exército. Algum tempo depois ela se casou com meu avô. Minha mãe contou que ouvia Vó Tile falar, de cor e salteado, o conteúdo do telegrama quando já era casada com meu pai. Meus pais se casaram em 1965.

Acredito que a guerra em que Alfredo morreu foi a Intentona de 1935, movimento liderado por Luis Carlos Prestes contra o governo de Getúlio Vargas.   

Histórias de amor me comovem, sou uma romântica irreparável. Hoje li uma história de amor muito linda, com um final mais feliz que o de Tile e Alfredo.  

O casal russo Boris e Anna se conheceu na aldeia em que ela vivia. Ele havia ido fazer um discurso comunista. Foi amor à primeira vista. Casaram-se em 1946 e depois de três dias de casados ele teve que voltar a sua unidade do Exército Vermelho. Se despediram com um beijo apaixonado, sem imaginar que passariam 60 anos separados. Aconteceu que o pai de Anna fora mandado ao exílio com toda a família por haver se recusado a obedecer ordens de Stalin. Anna se recusou a ir, até ameaçou se suicidar, mas foi obrigada a acompanhar seus pais. Quando Boris voltou à aldeia ficou desesperado por não encontrar a esposa e ninguém sabia onde estava a família. Assim eles se separaram.Na nova aldeia a mãe de Anna queimou todas as lembranças que ela tinha de Boris, cartas, poemas e fotos, inclusive as do casamento, e mentiu para ela, dizendo que Boris havia se casado, por isso não a procurava. O próximo passo da mãe de Anna foi arranjar um noivo para ela. Anna recusou-se a casar e tentou se matar, mas a mãe chegou na hora, deu-lhe um tapa no rosto e disse-lhe que não fosse tão estúpida. Ela acabou se casando como a mãe queria.

Algum tempo depois Boris também se casou e escreveu um livro sobre um jovem soldado que havia se casado com uma mulher com quem passou apenas três noites. Com o tempo Boris e Anna ficaram viúvos. 

Com o fim da União Soviética, Anna viajou para sua antiga aldeia e foi visitar a casa onde viveu com Boris durante aqueles três dias. Nesse mesmo dia, Boris chegou àquela aldeia para visitar o túmulo de seu pai e também foi até sua antiga casa. Ele tinha agora 80 anos.

 Boris e Anna Kozlov

Anna avistou aquele homem idoso descendo do carro e achou que o conhecia. Ele se aproximou olhando pra ela e os dois se reconheceram. Ela chorava de alegria, o coração acelerou. Ele a abraçou e disse:  ‘Minha querida, eu estive esperando por você por tanto tempo. Minha mulher, minha vida …'” Os dois passaram a noite interia falando sobre tudo que havia acontecido com eles e sobre as circunstâncias cruéis que os separaram.

Link: Russian couple reunited after 60 years apart

4 de julho

11706

Hoje é festa na minha família. Não, não estamos comemorando o aniversário da independência do Tio Sam não. É aniversário da Dona Bela, minha mãe. Ela é assim: bonita, bem humorada, ultrajovem, inteligente, estudiosa, prestativa, bondosa, uma vovó moderna… Desde pequena eu a via fazendo palavras cruzadas, lendo ou bordando ponto cruz. Aos 60 anos voltou a estudar e vai entrar na faculdade ano que vem. Quando vamos à casa dela sempre tem um quebra-cabeça de 1000 ou 2000 peças sobre a mesa e ela, empolgadíssima, chama os netos pra ajudar. À noite um jogo de raciocínio é obrigatório. Difícil é vencê-la. Dona Bela é uma figuraça, inesquecível, maravilhosa…