Pessoas invisíveis ou como minha casa foi para o lixo

24 ago

Eu comprei um pote de margarina e descobri que poderia concorrer a uma casa com cozinha, um carro com seguro, uma viagem pra Disney com a família e mais 30 mil reais. Já pensou? Fiz tudo certinho pra participar da promoção, então eu teria que guardar a embalagem pra comprovar o código caso fosse sorteada. Mas ela foi para o lixo! Já era! O carro do lixo passa aqui na minha rua às segundas, quartas e sextas-feiras à noite e fiquei pensando que os rapazes que jogaram o meu lixo no carro nem desconfiam que podem ter levado meu prêmio. Só pensei nos garis por causa desse episódio, aliás poucos pensam nos garis como pessoas, talvez enxerguemos apenas a função – é um caso de invisibilidade pública. Um psicólogo da USP,  Fernando Braga da Costa, escreveu sua dissertação de mestrado baseando-se nessa idéia. Vestiu-se como gari para trabalhar na própria universidade em que estuda e fez descobertas incríveis ao VER realmente como vivem e que os varredores são seres humanos. Infelizmente quase ninguém os vê assim. Segundo Fernando, “É como se a pessoa passasse por um poste, por uma árvore”. Vale a pena refletir.

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4 Respostas to “Pessoas invisíveis ou como minha casa foi para o lixo”

  1. Sergio Quintela 24/08/2008 às 3:47 pm #

    Tempos atras saiu uma matéria na Folha com um reporter que passou dois dias como sendo um catador de papelão, e são como se fosse invisiveis tb.

  2. Ma 24/08/2008 às 5:51 pm #

    Já li sobre essa dissertação! Show de bola!

  3. elvira 26/08/2008 às 4:33 pm #

    Aqui nem se vêem apesar de virem diáriamente. É que passam volta das duas da manhã.
    Um abraço

  4. jussara almeida 27/08/2008 às 10:54 pm #

    menina, todos somos em algum momento invisíveis, ninguem repara todo mundo todo o tempo. e também qualquer uniforme “invisibiliza” as pessoas, aliás deve ser pra isso mesmo que eles servem: para mostrar a insitituição e não o individuo.

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